Quinta-feira 24 de julho, 2014
A PREOCUPAÇÃO DA JUSTIÇA COM A COMPRA DE VOTOS
Em sua prestigiada coluna no Jornal da Paraíba, na edição do dia 20 último, o jornalista Arimatéia Sousa, relata conversa que teve com o juiz Marlon Reis, que relatamos a seguir:
Timoneiro
Na última semana, tive a oportunidade de conversar em duas oportunidades com o juiz Marlon Reis, um dos redatores da ´Lei da Ficha Limpa´ e um dos idealizadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. Ele lançou o livro ´Nobre Deputado´.
A obra
“O ´Nobre Deputado´ é um livro que apresenta os bastidores das campanhas eleitorais feitas pelas pessoas que praticam atos ilícitos para conquistar mandatos. Embora seja uma ficção, foi construído com base em depoimentos coletados por mim junto a pessoas que praticam, desviam verbas publicas.
Gargalo
“O principal problema é o sistema político. Nosso sistema eleitoral é insustentável, baseado no abuso do poder econômico. Não podemos falar de impunidade, porque muitas coisas estão feitas de acordo com a lei.
Brechas
“Há coisas que são toleradas e até estimuladas pela legislação eleitoral.
Invisível
“Eu confesso que alguns depoimentos me deixaram extremamente estupefato. Por exemplo, algo que me chocou foi a revelação do crescimento da ´indústria de agiotagem´, que é utilizada como base para eleição principalmente de prefeitos.
Como opera
“Essa ´indústria´ empresta dinheiro a juros exorbitantes - de 10% a 20% ao mês – e esse dinheiro é pago com verbas da saúde, da educação, do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Essas pessoas estão dilapidando o dinheiro público”.
Emblemático
“Há alguns dias recebi a visita de um prefeito do interior do Maranhão (terra natal do juiz), que me revelou a exigência de retorno – por parte de um deputado federal – de 75% dos recursos de uma emenda parlamentar que apresentaria para o município”.
´Investimento´
Ainda Marlon: “Quem doa R$ 5 milhões, R$ 6 milhões para uma campanha, é por amor à democracia? Não é! Vai exigir o retorno. E esse retorno é à custa do nosso sangue; à custa do suor do povo brasileiro que paga impostos e depois observa o dinheiro público ser desperdiçado e canalizado de forma ilícita para os antigos financiadores de campanha. O financiamento privado de campanhas por empresas foi distorcido e se transformou numa maneira de as empresas adentrarem no dinheiro público”.
Fonte: Patos Online
José Augusto Longo
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